RETRATOS DE ATIBAIA

Grupo Escolar José Alvim




Resumo histórico de 1814 a 1906

A primeira notícia sobre educação em Atibaia (referência oficial nos anais da Câmara Municipal de Atibaia) surgiu em 1814 quando se reclamou da falta de professor para a cadeira de latim que fora criada. Essa vaga foi preenchida em 1815 pelo padre Manoel Batista de Sá Rangel. Também em 1815 Simão Barreto Felix foi nomeado professor régio de primeiras letras. Consta que em 1820 dois professores régios exerciam em Atibaia o magistério: José Joaquim de Moraes era o professor de primeiras letras e Inácio Ubaldino de Abreu ensinava latim.

A 14 de julho de 1851 foi criada a primeira escola feminina de Atibaia e foi nomeada para dirigi-la a professora Guilhermina de Toledo Ordonhes. O professor de primeiras letras era Francisco de Castro Moreira que foi substituído pelo professor Antônio de Toledo Ordonhes.

Em 24 de maio de 1865 foi implantado mais um colégio feminino dirigido pela madame Arpenans onde era ministrado o ensino de português, francês, música (canto e piano), desenho, prendas domésticas etc..

Em 1873 era professor público Francisco Compton D'Elboux e Barbina de Toledo. 
No recenseamento encomendado em 1886 pelo Presidente (atual Governador) da Província de São Paulo, João Alfredo Correia de Oliveira, existiam em Atibaia 6 escolas masculinas, com 132 alunos e duas femininas com 52 meninas.

Nota: Após a Independência do Brasil, através de uma Lei Imperial de 20 de outubro de 1823, D. Pedro I extinguiu as juntas governativas provisórias nas províncias e criou os cargos de presidentes, a serem preenchidos por nomeação do Imperador, e os conselhos de governos, que seriam eleitos. - AMARAL, A. Barreto. Dicionário de História de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006. pp. 504-506, verbete "Presidentes da Província de São Paulo".

Na década de 90 do século XIX havia em Atibaia 4 escolas na cidade e algumas outras no município, sendo as da cidade dirigidas pelos professores: Edmundo Malaquias de Almeida Lisboa, Eugênio Augusto de Toledo, Risoleta Ceslau de Moura e Maria da Glória Eurique Lisboa. O curso secundário contava com o Colégio Hubert e posteriormente com um curso masculino dirigido pelo professor Joseph Cire e outro feminino pela professora Eliséria Dantas. O inspetor escolar nesse tempo era o tenente Egídio José da Silveira.

A criação de um grupo escolar era um assunto que já vinha sendo debatido pela Câmara Municipal de Atibaia e no começo do século XX tornou-se urgente. A cidade crescia e com ela a necessidade da democratização da educação e de sua gratuidade. A captação do recursos para a fundação do grupo escolar foi feita de maneira criativa e controversa: a Lei dos Fogões. Tratava-se de um projeto de lei apresentado pelo Capitão Benedicto de Almeida Bueno (em 2 de agosto de 1914 o mesmo, como Prefeito Municipal, apresentava uma Lei obrigando os mendigos de Atibaia a portarem placas identificadoras para poderem mendigar.), com o apoio do presidente da Câmara Municipal, Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim) e assessoria de Aprígio de Toledo, que criava o imposto denominado "fogões". Essa lei de nome bizarro abrigava o seguinte artigo:

Art. 1º Fica criado o imposto de 3$000 (três mil réis) sobre os fogões, compreendendo-se debaixo desta denominação o local em que se preparam ao lume os alimentos, em cada domicílio.
§ 1º Se em um mesmo domicílio residir mais de uma família, utilizando-se do mesmo fogão, o imposto será cobrado repetidamente na proporção do número de famílias domiciliadas;
§ 2º Compreende-se por domicílio para efeito de exiquibilidade do presente imposto, a casa em que habitualmente residem os indivíduos;
§ 3º Nos prédios alugados ou arrendados o imposto será pago pelo arrendatário ou locatário;
4§ O imposto sobre os fogões é extensivo ao município. O produto de arrecadação será aplicado na construção de um prédio para o Grupo Escolar desta cidade.

Bem recebida por poucos e contestada por muitos, como ficou registrado nas páginas do "Jornal do Commércio" de 12 de maio de 1903, no artigo de Martim Francisco, onde descarregou acusação enérgica e eloquente e censura aos homens do governo atibaiense, apontando a inconstitucionalidade do imposto.

Em 6 de abril de 1903 foram iniciadas as obras do Grupo Escolar, no Largo do Rosário (atual Praça Guilherme Gonçalves), em terreno da municipalidade onde se localizava o cemitério de Atibaia e que fora desativado quando da inauguração (abril de 1900) do Cemitério Municipal São João Batista. Era Intendente Municipal o Sr. Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim).

Em 18 de julho de 1903, o Sr. Florêncio A. Alves, com sítio situado no Bairro do Rio Abaixo, declarava em publicação no jornal "O Atibaiense" que tinha pago a quantia de três mil réis de imposto de seu fogão.

No dia 12 de fevereiro de 1904 já se encontrava no depósito da Estação de Trem de Caetetuba (Estrada de Ferro Bragantina) toda a mobília do Grupo Escolar (José Alvim), mandada pelo Governo do Estado de São Paulo.

Em 4 de abril de 1904 finalizaram a obra do Grupo Escolar (José Alvim) com um custo total de 36.282$390. 

Em 9 de janeiro de 1905, por decreto do Governo do Estado de São Paulo, foram anexadas a primeira, segunda e terceira escolas da cidade. Para esse estabelecimento (Grupo Escolar) foram nomeados os seguintes professores que regiam aquelas escolas: Francisco Napoleão Maia, José Armando, João Benedicto de Sales Bastos, Benedicta Vieira, Risoleta Ceslau de Moura e Elvira Pinto de Carvalho e nomeado como porteiro do Grupo Escolar o Sr. João Baptista do Amaral.

Em 12 de abril de 1905, através de uma escritura, foi doado o Grupo Escolar (José Alvim) ao Governo do Estado de São Paulo. Era Intendente Municipal (atual Prefeito Municipal) à época o Dr. Cândido da Cunha Cintra e presidente da Câmara Municipal o Sr. Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim).

No dia 17 de junho de 1905, um sábado, inaugurou-se, oficialmente, o Grupo Escolar (José Alvim). Assim foi que logo de manhã começou pela cidade um movimento mais que regular, fora do comum. Depois das dez horas cruzavam-se, por todas as ruas, meninas vestidas de saia azul, camisas branca e a cobrir-lhe bonés branco e pequenos soldados, pisando firme, com certa pose marcial. Ao meio dia a banda de música dirigiu-se, tocando, ao Largo do Rosário (atual Praça Guilherme Gonçalves), onde formou, galhardamente,o batalhão infantil do Grupo Escolar (José Alvim). O batalhão infantil e o povo deram entrada no edifício.

Estavam presentes o Intendente Municipal (atual Prefeito Municipal) Dr. Cândido da Cunha Cintra, o Presidente da Câmara Municipal de Atibaia, Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim), o representante do Governo do Estado de São Paulo, Sr. João Lourenço, e o diretor do Grupo Escolar (José Alvim), Professor Mário Arantes. Além desses, discursaram também o Sr. Alcides Cintra Bueno, o representante do Ministério Público, Dr. Theodomiro de Toledo Piza e o Dr. Aprígio de Toledo. 

Em 15 de março de 1906, por ato do Presidente (atual Governador) do Estado de São Paulo, Dr. Jorge Tibiriça, o Grupo Escolar recebe o nome de José Alvim.

Quem era José Alvim?
Coronel José Alvim de Campos Bueno (Nhô Bim), era descendente e sexto neto direto de Jerônimo de Camargo, fundador de Atibaia, bisneto paterno do Capitão Francisco Xavier de Oliveira Bueno e pai de Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim). Foi Partidor e Contador do Juízo e de Órfãos, vereador por diversas legislaturas e um dos fundadores e Chefe do Partido Republicano de Atibaia.

No dia 7 de novembro de 1906, o Intendente Municipal (atual Prefeito Municipal) Capitão Leopoldo Soares do Amaral (gestão de 02 de janeiro de 1906 a 15 de janeiro de 1908) assinava a Lei Municipal nº 100, instituindo o ensino obrigatório no município, passando Atibaia para a história do Brasil a ser a primeira cidade a adotar tal procedimento. Era Presidente da Câmara Municipal o Sr. Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim).

Curiosidade:
Juvenal Alvim de Campos Bueno (Major Juvenal Alvim) chefiou o serviço de construção do prédio do Grupo Escolar (José Alvim). Certa ocasião, João Batista Conti pediu a ele esclarecimentos sobre a construção do grupo escolar. Ele levantou-se de sua poltrona e disse: "- Menino vou dar um presente a você." 
E trouxe para João Batista Conti um livro de assentamentos onde se via com aquela letra grande e de traços firmes, o registro de toda a despesa com a construção que começava assim: "1903-abril-6 - Custo total deste livro pago por Juvenal 3$000" e termina "1904-abril-4 - Importância que custou o prédio que a Câmara fez pa. servir de Grupo Escolar nesta cidade 36:382$930."

Foto:
1ª - datada de 17 de junho de 1905 - Inauguração do Grupo Escolar - Largo do Rosário (Praça Guilherme Gonçalves.
2ª - talvez de 1910.



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